Lei e EvangelhoSimul justus et peccator
Um Pastor Luterano

Was Christum Treibet (Martin Luther).

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Jesus ensina seus ouvintes por meio da imagem de uma pequena semente.Pregações

Todo bom começo tem um bom professor

Amados irmãos, amadas irmãs,

a pedagogia de Jesus era incrível. E suas técnicas de ensino eram tão disruptivas que continuamos aprendendo delas até hoje. Em Jesus não encontramos abstrações como no pensamento da filosofia grega; também não encontramos nele as afirmações belicosas do Império Romano; o ensino de Jesus é concreto: ensinar contando histórias do dia a dia, exemplos práticos e conhecidos que dão vida à mensagem que ele queria passar.

No Novo Testamento, essas histórias são conhecidas como parábolas que são analogias do dia a dia. A parábola do Filho Pródigo nos conta como relacionamentos familiares e na própria igreja podem ser difíceis; a parábola do Bom Samaritano afirma como facilmente ignoramos quem precisa de ajuda e julgamos quem realmente ajuda e faz alguma coisa pelo seu próximo; a parábola do Bom Semeador ensina que a semente pode ser boa, mas os frutos vão depender do lugar em que ela cair. Parábolas são essas histórias do dia a dia que, quem sabe, nossos pais ou avós também nos passaram como ensinamentos para o futuro.

O texto bíblico que ouvimos também é uma parábola, uma história com exemplo prático no dia a dia que quer ensinar algo ao seu público-alvo. Às vezes, uma parábola também pode ser misteriosa. E é interessante que há uma pedagogia natural nas coisas misteriosas. Um mistério é algo que prende a nossa atenção. Tenho a impressão de que Jesus também sabia disso. Em Lucas 13.18-19, Jesus disse: “A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei? É semelhante a um grão de mostarda que um homem plantou na sua horta; e cresceu e fez-se árvore; e as aves do céu aninharam-se nos seus ramos”. Tem um mistério aqui: qual é o significado da comparação? Por que o reino de Deus é comparado com a semente do grão de mostarda?

Bem, eu não trouxe o grão de mostarda; na verdade, eu queria trazer um pinhão de araucária pra gente, mas agora não é a época... Então, eu trouxe essa pedra. Albert Einstein dizia que a imaginação é mais importante que o conhecimento. Então vamos imaginar agora que essa pedra seja um pinhão. Imagine o pinhão. Agora, deixa eu te perguntar: você acredita que dentro desse pinhão tem uma araucária de 30 metros de altura? Você acredita que essa araucária está aqui dentro? Você acredita que dentro dessa semente há potencial para isso tudo? Claro, a resposta é sim. E Jesus nos diz que da mesma forma é o Reino de Deus: hoje, pode parecer como a semente: pequena, desconhecida, misteriosa; mas, um dia, será grande e glorioso como uma araucária. Para o público-alvo de Jesus fazia sentido falar do grão de mostarda; para o nosso público-alvo, faz mais sentido contextualizar a partir da araucária.

Mas, qual é a relação disso com a profissão dos professores? A parábola nos ensina também que “a semente carrega dentro dela um potencial de vida capaz de ser despertado quando encontra as condições para germinar”1. Assim, portanto:

Dentro da semente há vida pronta para ser despertada, e quando ela encontra condições, se transforma em uma hortaliça vigorosa. A vida brota de dentro da semente, ela sempre esteve ali, mas quando ela é plantada, bum! Aparece, cresce e multiplica.2

Penso que da mesma forma pode ser na vida dos estudantes. Há vida ali a ser despertada. Há um potencial a ser descoberto. Há um mistério a ser revelado. E com o dom do ensino acontece a possibilidade de criar as condições para que o florescimento seja possível. Cada aula pode ser uma oportunidade de fazer frutificar o potencial dos próprios alunos com os dons que possuem.

Aqui gostaria de dar um testemunho pessoal: eu era um aluno difícil. Eu tinha um amigo e no Ensino Médio nós dois éramos o “terror dos professores”. A gente fazia tanta bagunça que mais de uma vez escutamos a frase: “pra fora!”. Quem imaginaria, não é? E mesmo depois de já ter decidido pelo caminho da Teologia, escutei de alguns professores a frase: “tu vai ser pastor?” Bem, hoje tenho alguns deles nas redes sociais e mantemos um bom contato. Por quê? Porque viram a transformação acontecer. E a semeadura que fizeram com tanta dedicação não foi inútil.

Quem semeia pratica a esperança. As condições podem parecer horríveis. O momento pode parecer insuportável. Podemos imaginar que a semeadura não trará efeitos. Mas, quem semeia pratica a esperança de colher, algum dia, os frutos. E quando os frutos surgem, há alegria. A alegria dos professores é a colheita dos frutos da sua semeadura: futuros adultos que poderão fazer a diferença em diferentes espaços da sociedade, mesmo que agora sejam rebeldes, difíceis ou complicados.

Professora, professor,

esperança! Tenha esperança! Prepare as aulas com esperança. Vá à escola com esperança. Ensine com esperança. Pratique a esperança. Quem semeia pratica a esperança. Quando vocês estão semeando sabedoria e conhecimento aos alunos da nossa cidade, estão praticando a esperança de que Novo Hamburgo pode ser uma cidade ainda melhor no futuro. Por isso, como Comunidade, temos um profundo respeito por vocês e pela profissão de vocês. Vocês também nos enchem de alegria e esperança pela semeadura que realizam com tanta coragem, força e amor.

Que Deus possa abençoar a semeadura de vocês neste ano. Deus dê paciência quando as condições parecerem difíceis; Deus dê discernimento quando perigos aparecerem; Deus dê coragem para seguir em frente; que Deus lhes dê alegria na profissão que escolheram; Deus seja com vocês.

Continuem firmes na semeadura esperançando que no devido tempo as sementes poderão crescer e frutificar. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os nossos corações e as nossas mentes, em Cristo Jesus, amém.

Notas e referências

  1. SCHEFFLER, Samuel. Reflexão para professores e professoras. in: IECLB. Subsídios para o estudo do Tema e Lema de 2025. Porto Alegre: Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, 2025. p. 93.

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  2. SCHEFFLER, 2025. p. 93.

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