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Um rio atravessa colinas e florestas de outono até encontrar águas tranquilas sob a luz dourada do amanhecer.Jornadas Espirituais

O Rio da Vida

Uma Jornada Espiritual para o tempo de Finados

Introdução:

Se a pintura é a arte no espaço, a música é a arte composta sobre o tempo. Nesta jornada espiritual, refletimos sobre os diferentes estágios da vida através da “pintura musical” do compositor tcheco Bedřich Smetana (1828-1884) em sua obra Vltava (O Moldava) que retrata musicalmente o curso do rio Moldava que percorre por diferentes regiões da Boêmia. Assim, o próprio rio se transforma em uma metáfora sobre a vida humana, tal qual ela é.

Ao longo dessa jornada, você será musicalmente transportado por um caminho que reflete o ciclo da vida. A recomendação é que você não leia tudo de uma vez, mas uma mensagem por dia, ouvindo os áudios nos exatos momentos em que foram colocados. Caso esteja fazendo a jornada na companhia de outras pessoas, todos podem ler as partes em vermelho juntos.

Abençoada jornada espiritual para você.

Dia 01: O Nascimento

Vinde ó Deus em meu auxílio.

Socorrei-me sem demora.

Glória seja ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como no princípio era, agora e sempre e por todos os séculos. Amém.

O Rio Moldava é o mais longo da República Tcheca, com cerca de 430 Km de extensão, nascendo na floresta da Boêmia, próximo à fronteira da República Tcheca com a Alemanha. O seu nascimento acontece através da junção de dois pequenos córregos. O compositor Smetana retratou essa junção através de duas flautas e dois clarinetes – que representam os dois córregos que formam o rio. Na música, as melodias vão se tornando próximas até, enfim, se tornarem uma só: o rio Moldava nasceu! A sequência da música conta com o tema principal que reflete a identidade do rio e da música, com violinos ascendentes e descendentes que fazem lembrar o “vai e vem” das curtas ondas de um rio.

A pintura musical do rio é uma metáfora perfeita para o surgimento da vida humana. Assim como o Moldava nasce de dois córregos, nós nascemos da união de duas pessoas que dão origem à nossa vida; desde à tenra idade, possuímos uma identidade bem própria que define quem nós somos – e passamos o curso do rio da vida buscando responder essa pergunta: quem eu sou? Já as ondas que vão e voltam recordam as diferentes estações da vida sem seus contínuos avanços e retrocessos, sucessos e fracassos, vitórias e derrotas.

Mas o rio Moldava apenas nasceu – nós nascemos! A vida do rio tem muitos lugares à percorrer – assim como a nossa vida. Por fim, recordamos aqui a maravilhosa palavra do salmista que escreveu: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável” (Salmo 139.13-14). O rio da sua vida é obra de Deus.

Reflita sobre isso ouvindo no player abaixo apenas o início desta obra de Smetana que está ligada ao passo de hoje da nossa Jornada Espiritual. Amanhã, encontro você aqui novamente.

Oração: Agradecemos hoje, Senhor, pelo nosso nascimento, pela nossa vida e pela nossa identidade. Louvado sejas por causa do teu amor por nós. Graças te damos pelo teu Evangelho que transforma nossas vidas conforme tua vontade pelo agir do Espírito Santo. Abençoa-nos em nossa jornada nesta semana e que esta série de mensagens possa ser um alento de consolo em meio à saudade daqueles que já não estão mais conosco, mas partiram para o descanso em tua presença. Ajude-nos para que estejamos preparados para quando chegar a nossa hora. Amém.

O Senhor nos abençoe, nos livre hoje de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Amém.

Dia 02: Os Caçadores e o Casamento

Vinde ó Deus em meu auxílio.

Socorrei-me sem demora.

Glória seja ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como no princípio era, agora e sempre e por todos os séculos. Amém.

São diversas as cenas que podem acontecer às margens de um rio. Neste estágio da nossa Jornada Espiritual, o rio passa ao lado de caçadores que estão no bosque. Smetana retratou este momento com trompas e instrumentos de sopro, dando um ar de seriedade e, ao mesmo tempo, de diversão, com um ar de solenidade. Mas a diversão da caça hoje poderia ser substituída pelos momentos de diversão da vida. Este momento da música celebra os momentos alegres da vida, onde há descontração, amizades e parcerias verdadeiras. O rio da vida vive um momento de festa, distração e felicidade – tão necessários à vida tão humana.

A diversão dos caçadores no bosque foi aos poucos ficando para trás. Agora, o rio Moldava chega a uma nova cena: um casamento de camponeses, introduzido na música através de uma tradicional “polca tcheca”. Quanto mais o rio se aproxima do casamento, mais a polca se torna clara. Para esta cena musical, Smetana introduziu um ritmo de festa, alegria e prazer. É a hora da comemoração, do amor, do romance.

O rio da vida passa por circunstâncias diversas: amor, romance, paixão... O rio da vida celebra a alegria de viver que precisa ter seu lugar na jornada humana. É preciso aprender a comemorar as alegrias e dádivas da vida – porque a própria vida é uma dádiva! Presente de Deus! Portanto, celebre, ‘curta’ e aproveite os momentos de celebração da vida. Não permita jamais que a amargura tome conta da sua vida e impeça você de aproveitar a festa. Lembre-se do que escreveu o apóstolo Paulo, mesmo preso: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Filipenses 4.4).

Oração: Agradecemos hoje, Senhor, pelos momentos alegres da nossa vida. Obrigado que há tempo para celebrar, agradecer e viver as dádivas que nos concedes por tua graça. Ajuda-nos para que sejamos pessoas agradecidas e para que cada vez mais possamos aproveitar os momentos de alegria sem nenhuma amargura ou ressentimento. Afasta, Senhor, esses sentimentos de nosso coração para que vivamos com vida em abundância, segundo a tua vontade. Amém.

O Senhor nos abençoe, nos livre hoje de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Amém.

Dia 03: O crepúsculo e a Aurora

Vinde ó Deus em meu auxílio.

Socorrei-me sem demora.

Glória seja ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como no princípio era, agora e sempre e por todos os séculos. Amém.

O casamento dos camponeses – com toda a sua pompa e alegria – também ficou para trás, como é normal no curso dos rios. Por isso, quando a felicidade chega, deve ser vivida e contemplada, pois também ela passa e fica para trás, sem sabermos quando virá nos visitar novamente.

Agora, o sol se põe. Há um som de mistério no ar. Tudo se torna estranhamente sombrio, calmo e silencioso. As notas agudas do violino aumentam o ar enigmático da cena. E com as cordas em surdina (um acessório que reduz o volume de instrumentos musicais), Smetana descreve uma bela cena ao luar. Há fadas nadando e banhando-se no rio. Com uma mudança de tonalidade, Smetana concede um sentido transcendente ao momento. Este é um dos momentos em que a música de Smetana toca com sensibilidade as profundezas da nossa alma, fazendo-nos pensar para além da realidade sensível.

Nessa parte da música, Smetana nos ensina que a noite é misteriosa, mas não precisa ser assustadora. O rio da nossa vida encara noites, muitas delas bastante traiçoeiras. Nestes momentos, é preciso ter a esperança de que o sol se põe no lado Oeste, mas se levanta novamente no lado leste. As noites devem ser geradoras de esperança – pois a esperança nasce das noites da vida.

A escuridão da noite não dura para sempre. Na sequência da música, o sol brilha no céu. O rio Moldava reflete o brilho do sol em suas águas tranquilas. É então que Smetana retoma o tema principal da música: a identidade não foi perdida durante o enigma da noite. Bastou o sol nascer para que o rio Moldava se lembre de quem ele realmente é!

Este momento da música é um retorno a si mesmo. Em outras palavras, é sair de si para encontrar a si mesmo. Isso se chama liberdade! Avançar pela vida sempre voltando às próprias raízes, origens. É olhar para o futuro com o coração cheio das boas memórias que teceram as teias de significado da nossa vida. É um contínuo descobrir e redescobrir quem somos! “Que é o homem, que dele te lembres?” (Salmo 8.4). Quem somos nós para sermos lembrados e amados por Deus?

Oração: Agradecemos hoje, Senhor, que a tua luz dissipa toda a escuridão. Não pertencemos às trevas, mas à luz – à maravilhosa luz de teu Filho Jesus, nosso Senhor e Salvador; ele, o sol fulgente que brilha intensamente em nossas vidas por tua graça. Pedimos que a tua luz nos acompanhe durante todo este dia – e que na noite densa e escura tua luz brilhe em nossos corações. Afasta de nós os poderes das trevas e abençoa-nos com tua luz que brilha para sempre, amém.

O Senhor nos abençoe, nos livre hoje de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Amém.

Dia 04: As Pedras e a cidade de Praga

Vinde ó Deus em meu auxílio.

Socorrei-me sem demora.

Glória seja ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como no princípio era, agora e sempre e por todos os séculos. Amém.

Apareceu o inesperado. O futuro agora é incerto. O rio Moldava passa por uma experiência assustadora, passando violentamente entre pedras com grande velocidade e perigo. Medo, angústia, pavor... Tudo isso está presente. Esses sentimentos são transmitidos através do ritmo acelerado da música e da caótica harmonização dos instrumentos da orquestra.

O rio Moldava está passando entre as Corredeiras de São João Nepomuceno, um lugar em que embarcações afundavam após se chocarem violentamente com as pedras. Não foram poucos os que morreram afogados ao desafiarem a violência desse trecho do rio. Por isso, ergueu-se neste ponto uma estátua de São João Nepomuceno em memória das vítimas. Por volta de 1950 (muito depois da morte de Smetana), o local foi alagado para a construção de uma usina hidroelétrica. Por isso, hoje as corredeiras não existem mais e permanecem vivas apenas através de pinturas e na própria memória musical criada por Smetana.

O rio da vida enfrenta de tudo: perigo, medo, angústia. Há pedras em nosso caminho. E quantas há! Existem momentos em que achamos que iremos sucumbir. Infelizmente, as pedras também fazem parte da vida. E – acredite ou não – também as pedras que encontramos no caminho trazem amadurecimento para a nossa jornada de vida.

O temor é passageiro. Também as perigosas e ameaçadoras pedras ficaram para trás. O perigo passou! Agora, o rio Moldava chega à cidade de Praga em grande festa. É uma entrada triunfal! A música é modulada para Mi Maior, dando um sentimento de alegria e paz; na cidade de Praga, o Moldava passa ao lado do Castelo Vysehrad que fica na sua margem – e o Moldava faz um louvor em tom de realeza à bela e forte construção do Castelo.

Após passar pelo perigo das pedras, é necessário agradecer e celebrar a vida. A tormenta não atormenta mais. A bonança chegou. É tempo de alegria, gratidão e festa novamente. Como naquela história bíblica narrada em Marcos 4.35-41 em que os discípulos em alto mar ficam apavorados em uma tempestade acreditando que irão sucumbir e se esquecem que Jesus estava no barco. Então, Jesus acalmou a tempestade. Jesus está contigo. Lembre-se disso no momento de tormenta e de alegria.

Oração: Senhor, nem sempre enxergamos as pedras que encontramos em nosso caminho como fontes da sabedoria. Elas nos ensinam, Senhor. As dificuldades ensinam valores que passamos a carregar por toda a vida. Ajuda-nos a buscarmos a sabedoria não apenas em livros, mas no teu livro: a Bíblia Sagrada; ajuda-nos a encontrarmos a sabedoria nas pedras que encontramos pelo caminho, para nelas não tropeçarmos mais; ajuda-nos a encontrarmos a sabedoria em ti, pois o temor a ti é o princípio da sabedoria. E ajuda-nos a contemplarmos as coisas bonitas que muitas vezes estão perdidas nas margens das nossas vidas. Amém.

O Senhor nos abençoe, nos livre hoje de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Amém.

Dia 05: O Encontro

Vinde ó Deus em meu auxílio.

Socorrei-me sem demora.

Glória seja ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como no princípio era, agora e sempre e por todos os séculos. Amém.

Após a passagem triunfante por Praga, o rio Moldava encontrou o seu ‘fim’: chegou o momento das águas do Moldava serem doadas ao grande rio Elba. Ali, as águas serão misturadas e se tornarão apenas um rio só. A foz do Moldava é descrita por Smetana como se o fluxo de água fosse aos poucos desaparecendo. No Elba, as águas doadas pelo Moldava irão percorrer um longo caminho pela Alemanha, desaguando no Mar do Norte na cidade de Hamburgo.

Chegou o momento do individual se unir ao todo, do passageiro se juntar ao eterno. Tudo que vive, morre – também os rios que misturam-se à novas águas. Smetana não põe um tom triste para este momento, mas sons harmoniosos que dão um sentimento de ‘dever cumprido’. O propósito foi, enfim, alcançado: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2 Timóteo 4.7-8). O futuro não é o acaso, mas a eternidade com o Senhor da vida e vida em abundância.

Oração: Ensina-nos, Senhor, a contarmos os nossos dias para que tenhamos coração sábio (Salmo 90.12). Ó Deus, sim, ensina-nos, para que tenhamos mais sabedoria em nosso viver – e vivamos melhor contigo, com o próximo e também interiormente; para que tenhamos mais qualidade de vida não apenas fisicamente, mas espiritualmente. Dá que dia a dia possamos compreender que o curso da nossa vida é um rio que corre em tua direção. Amém.

O Senhor nos abençoe, nos livre hoje de todo o mal e nos conduza à vida eterna. Amém.

Assim, concluímos essa Jornada Espiritual de encontro com Deus, a música e a arte. Smetana foi capaz de traduzir um rio inteiro para a linguagem da música. Que os sons ouvidos nestes 5 dias, as palavras lidas e a vida vivida possam trazer consolo, alento e esperança diante das perdas que doem e deixam grande saudade. Por fim, convido você a ouvir a música inteira no player abaixo. Deus te abençoe. Amém.

Fonte de pesquisa: https://www.google.com/search?q=O+Moldava+smetana+explica%C3%A7%C3%A3o&oq=O+Moldava+smetana+explica%C3%A7%C3%A3o&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIKCAEQABiABBiiBDIHCAIQABjvBTIHCAMQABjvBTIHCAQQABjvBdIBCDYzMjBqMGo3qAIAsAIA&sourceid=chrome&source=chrome.ob&ie=UTF-8.