PregaçõesO amor nos amou
Amados irmãos, amadas irmãs,
nós estamos nos dias mais importantes de todo o ano litúrgico. De fato, a sexta-feira da Paixão e a Páscoa são mais importantes do que o natal: se Jesus não tivesse se entregado à morte e ressuscitado, ninguém comemoraria o dia do seu nascimento.
Contudo, este é o dia ideal para refletirmos também sobre a missão de Jesus. Esta semana, um dos confirmandos perguntou “por que Jesus teve que morrer pela gente?” Essa é uma das perguntas mais importantes que precisamos fazer a nós mesmos. Precisamos ter muita clareza da missão de Jesus para não cairmos em qualquer vento de doutrina que surge por aí.
Para termos clareza sobre a pessoa e a missão de Jesus, basta perguntarmos sobre o seu reino. Aquilo que estamos ouvindo fala sobre a eternidade ou se resume a ter uma boa vida aqui?
1) De um lado, caímos o risco de cair (como muito venho dizendo) no Jesus da prosperidade. Um Jesus assim é a negação do Jesus da cruz e da salvação. É um Jesus que nos dá curas, milagres, prosperidade financeira, mas da qual não se menciona a necessidade de arrependimento, perdão, reconciliação. A esperança da vida eterna fica completamente esquecida!
2) De outro lado, caímos no risco de cair no Jesus revolucionário e exemplo a ser seguido. Li, por exemplo, um artigo escrito por dois teólogos, um italiano e outro brasileiro, com o título “Jesus não morreu pelos “nossos pecados” e sim por enfrentar o sistema”. No cabeçalho da notícia, dizia: “Os Evangelhos são claríssimos: Jesus morreu porque confrontou o Templo, um sistema de dominação e exploração dos pobres.” Jesus estava, de fato, auxiliando os pobres, mas dizer que ele veio só para isso significa reduzir a mensagem do evangelho a praticamente nada!
Amados e amadas do Senhor, esse é o perigo que corremos: de um lado, de reduzirmos Jesus a um milagreiro; de outro, de reduzirmos Jesus a um revolucionário. Ambos os caminhos perdem a essência do evangelho!
Mas, então porque Jesus veio à terra? Qual era, de fato a missão de Jesus?
I – O pecado e a religião
Esta é uma palavra que tem saído muito de moda. Ninguém gosta de falar sobre o pecado, embora ele esteja em abundância nas ruas, noticiários e também em nossas vidas.
O grande problema da humanidade é o pecado. Todos nós sabemos que a sua origem está em Adão e Eva, os primeiros seres humanos criados por Deus. Havia apenas um mandamento para eles: não comer do fruto da árvore do bem e do mal. Nem mesmo esta lei conseguiram obedecer. A serpente os enganou dizendo que se comessem, seriam igual a Deus. Foram tolos, pois eles já eram iguais a Deus, i. é, criados à sua imagem e semelhança.
Queridos irmãos e irmãs, quando Adão e Eva caíram no pecado, foi criada a religião. A religião é fruto, portanto, do pecado e do erro. A religião é consequência desastrosa da desobediência a Deus. Por quê? Porque o ser humano se afastou de Deus e agora faz de tudo pra se juntar a ele novamente. Tentativas, obviamente, que falham, pois não temos poder de salvação em nós mesmos. Após Gênesis 3, toda a Bíblia até o final irá apontar que o ser humano procura se salvar a si mesmo, mas não consegue. Vejamos alguns exemplos só no texto que lemos:
V. 7: Abriram-se, então, os olhos de ambos; e percebendo que estavam nus, recolheram folhas de figueira e fizeram cintas para si. Após a primeira desobediência a Deus, o ser humano tenta se salvar cobrindo a sua vergonha com folhas de figueira. Eles sabem que Deus é Santo e tentam esconder seus pecados com folhas ao invés de reconhecerem seus erros. É interessante que eles fogem de Deus, ao invés de correrem logo para os braços de Deus. Como se pudessem realmente fugir de Deus, o que não é possível. Por vezes é assim também na nossa vida. Ao pecarmos, ao invés de procurarmos o trono da graça onde Deus está pronto com o perdão, nós fugimos de Deus e escondemos nossos erros com “folhas de figueira”.
A religião é tentarmos nos salvar escondendo nossa vergonha pelo pecado com folhas de figueira; a graça é Deus nos salvando cobrindo e perdoando completamente os nossos erros. A religião é o que nós fazemos para sermos salvos, o que é inútil, pois nunca será o suficiente; a graça é Deus fazendo algo para nos salvar, que será útil, pois dura para sempre.
Fato é que que houve uma separação entre Deus e o ser humano. A única lei se tornou em Dez, mas os erros continuaram acontecendo. A constituição brasileira possui 245 artigos, ou seja, 245 leis, mas nem por isso deixou de haver criminalidade. Nem por isso deixou de haver o pecado!
Logo, nem a religião e nem as leis são suficientemente capazes de salvar o ser humano de seus pecados. Religião, leis e rituais não podem apagar a separação entre o ser humano e Deus.
Portanto, temos um problema: o pecado!
Como resolver?
II – Jesus era o próprio Deus!
Aqueles que reduzem o evangelho a milagres ou revoluções, esquecem de que Jesus não era apenas um homem, mas o próprio Deus. Vocês aprenderam no Ensino Confirmatório que Jesus é o Deus-Filho, ou seja, a Segunda Pessoa da Trindade. Ele se fez humano sem deixar de ser Deus!
Comprovação disso é o que está escrito em Jo 1.1-3: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” Ou seja: Jesus não começou a existir apenas em seu nascimento no Novo Testamento, mas estava com o Pai desde a Criação. Inclusive, Jesus foi o meio usado para o Pai, em amor, criar tudo o que existe. No v. 14, diz: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.”
O ser humano não conseguiu subir até Deus. Todas as suas tentativas falhavam. Então Deus desceu até nós na pessoa de Jesus Cristo e, graciosamente, nos deu a Salvação, se crermos no seu nome. Não são as nossas obras que nos salvam, pois isso é a religião; é a obra da pessoa de Jesus Cristo na cruz que nos concede salvação. Somente Cristo! Somente a Graça! É isso que quer dizer a sexta-feira da Paixão! Nossas tentativas humanas falharam, mas Deus não falhou!
Um simples homem, ao morrer na cruz, poderia nos conceder salvação? Não, pois todos nós já nascemos no pecado. Mas ele foi concebido pelo Espírito Santo. É o próprio Deus que se doa, se entrega e morre para solucionar o problema que havia entre nós e seu Pai.
A missão de Jesus ao vir ao mundo não era apenas fazer curas e milagres, ou ser um revolucionário político. Ele veio por amor a você! Aquele que é o amor nos amou na cruz! Através de Jesus, estamos tão conectados com o Pai que podemos ter, novamente, a esperança da vida eterna, da salvação. Por meio de Jesus, já agora temos a possibilidade de termos um relacionamento íntimo com Deus.
Nós pecamos! Deus não poderia nos perdoar simplesmente porque queria, porque seria injusto. Ao mesmo tempo, eliminar a humanidade como no dilúvio também não era permitido por sua graça. Então ele resolveu o problema em um só ato: deu Jesus, seu Filho! Alguém pagou o preço da dívida e, ao mesmo tempo, há perdão para todos nós que cremos em Jesus!
Conclusão:
Agostinho, um pai da igreja, diz: “Não foram os pregos que mantiveram Jesus na cruz, mas o seu amor por nós!” Jesus era Deus! Ele poderia ter descido da cruz a hora que quisesse! Mas permaneceu por mim e por você. Veja o quanto você é precioso aos olhos de Deus!
Um ser humano que quer se salvar sozinho é como alguém afundado na lama somente com a cabeça de fora. Alguém lhe estende a mão e lhe diz “vou te tirar daí” e ele responde: “fique tranquilo, eu me puxo pelos meus cabelos para fora”. Assim é a pessoa que quer se salvar e não deixa que Cristo opere nela a salvação. Nunca iríamos sair da lama sozinhos pelas nossas obras; por isso Deus providenciou que Cristo Jesus, na sua cruz, estendesse a nós a sua mão para nos livrar. O primeiro Adão nos levou ao pecado; o Segundo Adão, Cristo Jesus, nos levou à salvação.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus, amém.